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Entrevista

Draculino alerta que professor de jiu-jitsu não deve se comportar como guru

Em podcast, o faixa-coral disse que ensinar bem não faz de ninguém o melhor conselheiro de vida e comparou o jiu-jitsu de hoje com o da época dele.

Arte: Jiu-Jitsu Sinistro

Draculino, faixa-coral com mais de 40 anos de tatame, disse que muitos professores de jiu-jitsu passaram a se ver como "coaches de vida" e que isso é um problema. A declaração foi dada no The Resilient Show, podcast publicado no YouTube.

Criado na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, perto da família Gracie, Draculino contou que chegou ao jiu-jitsu ainda jovem, quando era surfista, e depois virou competidor, professor e formador de atletas.

Conselho, sim; guru, não

Segundo ele, o problema vem dos dois lados: alunos procuram mestres e professores para pedir conselhos sobre assuntos que eles não dominam, e alguns professores respondem mesmo assim. "Ensinar bem jiu-jitsu não quer dizer que você tem os melhores conselhos de vida", resumiu.

Draculino deixou claro que não falava dos veteranos com décadas de treino e que também dá conselhos quando pedem, de forma sincera, sem se colocar como guru de ninguém. Para ele, o caráter pesa mais que as medalhas: "Qual é o valor de formar muitos campeões se eles são todos pessoas ruins?"

O que mudou no jiu-jitsu

Na mesma conversa, ele afirmou que o nível técnico de hoje é "infinitamente melhor" do que na época dele. A maior mudança, na visão de Draculino, está na filosofia.

Ele lembrou que, antes, havia às vezes só dois campeonatos por ano, e o treino era pensado para a defesa pessoal e para uma luta real. "Nunca fazíamos técnicas que não funcionassem numa briga de verdade", disse. Draculino ressaltou que não culpa ninguém pela mudança e que vê a mentalidade atual como diferente, não necessariamente pior.

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