Demetrious Johnson diz que proibiria a chave de calcanhar no MMA, e Josh Barnett discorda
Ex-campeão do UFC e do ONE, "Mighty Mouse" comparou a regra à proteção do quarterback no futebol americano. Barnett respondeu que a proibição faz sentido em eventos amadores, mas não entre profissionais.
Demetrious "Mighty Mouse" Johnson, ex-campeão peso-mosca do UFC e do ONE, disse que, se dependesse dele, a chave de calcanhar (heel hook) seria proibida no MMA. A declaração foi dada numa conversa com o jornalista Ariel Helwani, que publicou trechos da entrevista nas redes sociais nesta semana. A fala abriu um debate com outro ex-campeão do UFC, Josh Barnett.
O assunto começou com o chute oblíquo, aquele golpe de sola contra o joelho do adversário. Johnson defendeu que o golpe seja banido porque "pode acabar com a carreira de alguém" e, na mesma resposta, incluiu a chave de calcanhar na lista.
A comparação com o futebol americano
Para explicar o raciocínio, Johnson citou a regra da NFL que pune quem atinge o quarterback de forma violenta. Segundo ele, a liga faz isso para que o jogador tenha uma carreira longa, e o MMA deveria pensar da mesma forma na saúde dos lutadores a longo prazo.
O ex-campeão disse que não usa nenhuma das duas técnicas. "Não faço chave de calcanhar e não faço chute oblíquo, porque existe outro jeito de eu te vencer", afirmou. Ele contou ainda que não gosta da chave de calcanhar e que não a ensina. Já a chave de braço, para ele, é diferente, porque o adversário tem a chance de bater e desistir antes de se machucar.
A resposta de Barnett
Josh Barnett, ex-campeão peso-pesado do UFC e conhecido pelo jogo de finalizações, respondeu no X. Ele concordou em parte: em eventos amadores, escreveu, a chave de calcanhar e suas variações poderiam, de modo geral, ser proibidas por segurança.
Entre profissionais, porém, Barnett acha que a técnica deve continuar liberada. Os argumentos dele, segundo o BJJDOC:
- Mecânica diferente: o chute oblíquo pode jogar o joelho para trás de uma vez, sem tempo de defesa. A chave de calcanhar vai sendo apertada aos poucos, e o atleta e o árbitro conseguem ver o perigo chegando.
- Tornozelo primeiro: a força se divide entre o tornozelo e o joelho. "Em muitos casos, o tornozelo provavelmente é o primeiro ponto de lesão, e é bem recuperável", escreveu.
- Escolha pessoal: Barnett disse não ver problema em Johnson evitar a técnica. Para ele, o erro é transformar uma preferência pessoal em regra para todo o esporte.
Barnett lembrou ainda que aprendeu com Matt Hume, a quem considera um dos melhores na chave de calcanhar.
Não é a primeira vez que Johnson fala contra a técnica. Em 2025, ele já tinha defendido que a chave de calcanhar fosse evitada nos treinos, pelo risco de lesões sérias.
